segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Magrelice: Nos galhos secos de uma árvore qualquer...


A vida é uma longa estrada com vários desvios. As vezes a gente desvia para o caminho errado, mas com ajuda, conseguimos voltar para a estrada principal. As vezes desviamos por que queremos fugir de algum buraco que insiste em nos seguir e deixar nossas rodas desgastadas para ficarmos cansados de prosseguir.
A gente se desvia tanto, que acabamos nos perdendo em curvas sem fim. Sozinhos. Sem nenhuma pessoa para ajudar. A solidão e a tristeza nem sempre são ruins, precisamos delas para pôr a mente no lugar, por que a solidão costuma trazer maturidade e a tristeza, realidade. Duas coisas que só adquirimos quando olhamos para dentro de nós e descobrimos nossas fraquezas e erros. As duas seguram suas mãos e te guiam até a estrada principal, novamente e te deixam seguir em frente, para que você possa estar bem o suficiente para encontrar a felicidade. Para que você possa pular ou tapar os buracos que te fazem mal.
O problema é quando você não quer largar as companheiras, quando você se apega a tristeza e a solidão. As pessoas chamam de depressão. Pois o caminho que a pessoa segue, fica cada vez mais escuro. É nessa hora que devemos dar o grito de socorro. Para que alguém possa vir nos resgatar e trazer um pouco de luz.
Eu passei tanto tempo da minha vida ligando para o que os outros pensavam que esqueci dos meus pensamentos. O que eu queria, o que eu fazia e o por que eu estava tão para trás, deixando que as pessoas e o externo tivessem controle sobre minha vida. Eu dei meu grito e estou esperando alguém vir me resgatar. Eu preciso voltar para meu caminho e seguir em frente. Deixar a tristeza e a solidão e buscar a felicidade. Foi tão difícil chegar aqui que me acomodei, porém é hora de voltar.
Sei que haverão dias que eu não estarei bem, que os buracos vão me derrubar, o segredo é sempre olhar para o céu e enxergar as nuvens passando. Eu ainda estou respirando e o tempo não espera por ninguém.


Uma música, uma história



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Beijos galaxicos!

Endoscopia nasal + Vídeo laringoscopia

Quem nunca teve medo de fazer uma endoscopia digestiva que atire a primeira pedra. Nada mais bizarro que imaginar um cano do tamanho do seu dedo sendo colocado em seu humilde esôfago. Só que isso é feito com você apagado ou em estado alucinógeno (tipo eu que vi gnomos na segunda vez que fiz o exame) enfim, quando acorda, tudo já acabou, exceto o sono.
Agora imagina o chilique que é, quando te enfiam um cano pelo nariz? Sim, essa é a endoscopia nasal.
É rotina para eu fazer este exame, pois devido ao meu histórico de proezas nasais, não tem como fugir, mas por incrível que pareça, eu ainda não postei sobre ele por aqui. Então como fiz um recentemente, daí resolvi relatar como foi, para todos aqueles que nunca o fizeram.
Esse exame serve para identificar problemas como: Pólipos nasais, adenoides, rinites, problemas anatômicos e afins... Basicamente é feito com um endoscópio flexível bem fino e anestesia tópica. 


Antes do médico começar, ele espirra um spray nasal e deixa a anestesia fazer efeito. Geralmente esse anestésico tem cheiro de flor e você tem a sensação de que seu nariz está gelado por dentro. Cada médico tem um jeito de fazer o exame. Então estou relatando como foi para mim, dado que na primeira vez que fiz o exame (por volta dos 8 anos) além do spray nasal, me aplicaram um spray na garganta também.
Depois ele começa a introduzir o aparelho, você não sente dor, apenas sente o endoscópio entrando. A medida que ele vai entrando mais, você começa a sentir uma ardência e uma sensação de pressão. Isso faz com que seus olhos lacrimejem um pouco, mas nada intolerável e é questão de segundos. Tem pessoas que não suportam muito, devido a alta sensibilidade no nariz, mas prender a respiração o máximo que puder, ajuda a aliviar os sintomas (é claro que tem que respirar pela boca, né). O otorrino pode pedir para você falar algumas coisas também, emitir sons.
Se você tiver algum problema nasal, é provável que tenha desconforto.
Eu tinha desvio de septo grau máximo, então toda vez que fazia esse exame, eu tinha um pouco de dor, por que o endoscópio não passava com facilidade em uma das narinas.
Depois de uns 10 a 15 minutos, o exame está feito e você sai tranquilo e sem sintomas nenhum, exceto o nariz escorrendo um pouco.



Agora a vídeo laringoscopia é um outro procedimento que ajuda averiguar problemas na laringe, cordas vocais e afins. Geralmente eu faço esse para acompanhar o refluxo.
A maioria dos centro de otorrino que fazem esse exame, costumam fazer junto com a endoscopia nasal. Como assim? Quando eles estão colocando o cano pelo nariz, eles vão enfiando até chegar na garganta e fazem as duas coisas em um procedimento único. Muita gente prefere assim e sente menos desconforto, mas eu digo, não é nada legal fazer os dois em um. Eu fiz uma vez e foi bizarro, sai da sala de exame espirrando muito e com um nariz em forma de torneira. Então eu sempre faço os dois separados, se seu médico tem o aparelho, peça para fazer separado.
Ele também é simples e não traz sintoma e nem dor nenhuma, apenas ânsia de vômito se caso o otorrino encostar o laringoscópio na úvula, o que é difícil.
Basicamente ele esfrega o aparelho nas bochechas e na língua para que a sua boca não fique com gosto de metal. Depois segura sua língua para fora com uma gaze e coloca o aparelho até a entrada da garganta (final da língua) e lá ele vai te mandar repetir algumas sílabas e fazer um teste tonal. O exame é rápido e é muito melhor fazer ele separado.



Se vai fazer esses dois exames, não se preocupe e confie no seu médico. Não trazem grandes desconfortos e nem dor intolerável. Fique bem calmo (a) que é menos de 20 minutos cada um e será de grande auxílio para descobrir possíveis problemas. Boa sorte! 


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sábado, 23 de setembro de 2017

Papo de filhos: Sua mãe sabe mais

Não importa o quão egocêntricos, individualistas ou metidos a saber tudo, nós somos. Nossa mãe sabe mais.
A começar pelo básico, sua mãe pode não ser formada em nenhuma área da saúde ou nem saber como jogar búzios, mas ela é formada em você e isso já conta muita coisa. Quer um exemplo? Minha mãe é formada em Pollyanne e ser formada em mim é o mesmo que estudar bacharel em física, pura doidice (Não é nada pessoal, físicos, meu sonho é ser astrônoma).
Sua mãe pode ter te concebido de três formas: Por parto normal ou por cesária ou simplesmente por amor*. Em qualquer uma das situações, ela conviveu com você antes mesmo de você pensar "Eu sou gente", então não dá para você saber sobre si mesmo, coisas que só ela viveu. Nós não temos maturidade quando somos bebês ou crianças, então em todos esses anos, nossas mães foram "estudando" a gente, acertando e reprovando nas provas da vida e fazendo um esforço tremendo para passar de ano. Essas experiências que a maternidade traz, leva ao título de que nossas mães sabem mais. Algumas podem até não saber mexer naquele celular de última geração, outras pedem ajuda para postar foto nas redes sociais, só que quando estamos doentes, a gente teima com elas que xarope y é melhor que o velho limão com mel e alho e no fim das contas, não é que o remédio caseiro dela funciona mesmo?


Tive a ideia de escrever essa postagem, por causa de uma situação aqui em casa. Devido a recaída do pânico, eu comecei a perder um pouco do apetite e não estava me alimentando direito. Resultado: Comecei a emagrecer e o emagrecimento levou a baixa estima e a baixa estima me fez perder o apetite mais ainda, virando uma bola de neve. Fui no hospital, fiz exames e deu absolutamente tudo normal. Até que minha mãe resolveu comprar uma vitamina "abridora" de apetite (Apevitin) dizendo ela que eu já havia tomado quando era mais nova. Eu não lembrava, óbvio, mas teimei dizendo que não tinha tomado e que eu deveria ir primeiro ao hospital. 
Minha mãe sabe que devido ao pânico, eu desenvolvi hipocondria e eu tomar remédio é um martírio. No fim das contas, ela disse que eu tomei quando tinha 10 anos e que ele dava muito sono apenas e deixava o corpo meio mole. Resolvi tomar e graças a Deus me senti bem e estou comendo melhor.
Então, se você um dia teimar com sua mãe a respeito de algo na vida, pare, pense e reflita. Elas podem falhar? Sim, mas aviso de mãe nunca falha. Com a minha idade, a minha deve estar no mestrado já... Que vergonha... Tamanho uma velha.

"O amor foi uma obra que os anjos, acidentalmente, deixaram cair aqui na terra e Deus, ao perceber a situação, criou as mães. Guardiãs do sentimento."


*Ser concebido por amor é um termo que eu uso para identificar pessoas que foram adotadas, ou seja, não nasceu do ventre da mãe, mas nasceu do coração.


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domingo, 17 de setembro de 2017

Bate papo e um fim de tarde

Depois de passar a manhã inteira pesquisando dados para o meu TCC, resolvi relaxar e ver vídeos de audições que eu gosto muito de ver. Descobri uma música em uma dessas apresentações, acho que algumas pessoas já devem conhecê-la, mas eu não a conhecia e gostei muito.

Jackson Five - Who's loving you


Depois de escutá-la, resolvi escrever este post sentada na varanda, observando o pôr do sol. Algo que vinha pensando nesses últimos dias. Então vamos bater um papo sobre amor?
O que é o amor para você?
Essa não é uma pergunta fácil de responder, não é? Bem, para mim nunca foi. Mas posso começar por uma frase dessa música:

"I, I, I, I should have never ever, ever made you cry"
"Eu, eu, eu, eu não deveria jamais ter feito você chorar"

O amor não é uma faca afiada que por um descuido, te corta e te faz chorar. O amor são questões que você deve responder todos os dias, para dar continuidade a este sentimento. Se o amor não for contínuo, então não vale a pena procurar por um significado.
Preencher um coração vazio é uma tarefa bem difícil. Nunca se sabe quando o que você oferece transbordará ou quando não é o suficiente. Por isso temos que ir respondendo as questões para aprendermos a interpretá-lo. 

"When I had you I treated you bad and wrong my dear"
"Quando eu tive você, eu te tratei mal e errado, minha querida"

Todas as formas de carinho são bem aceitas, quando são dadas de espontânea vontade. Pedir amor de outra pessoa é o mesmo que pedir esmola. As pessoas só te dão, por que sentem pena. Isso nunca será amor e nunca será uma questão respondida para dar significado a este sentimento.
Não estar presente, ser frio (a) ou não dar carinho é uma forma de tratar mal. Ninguém pode aguentar ou ficar preso em uma situação assim, por uma motivo, seja ele qual for. 
Amar não é simplesmente estar ou ficar junto, é mais simbólico que isso. Amar, ao meu ver, é enxergar como o outro. Se você se colocar no lugar da pessoa amada, entenderá como ela vê o mundo e consequentemente, a entenderá.
O sentimentos são como uma montanha russa, começa com a expectativa, sobe, sobe e chega ao topo, o clímax. Em seguida vem a descida, os baixos, a gente grita de medo ou grita por arrependimento. Depois tudo se acerta e depois cai novamente, até o fim, onde vemos se a relação realmente é forte o suficiente para superar todo o percurso.

"Life without love is oh so lonely"
"A vida sem amor é tão solitária"

Sim... Sempre será. Mas sempre hão de ter novas formas de amar.




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Por que eu não gosto do Rio de Janeiro

Me desculpem, cariocas, sei que nem todo mundo é assim, por isso já deixo claro que começo esse textos sem generalizações.
Se você ler e não se identificar, ótimo. Você não está no grupo do "Por que eu não gosto do Rio de Janeiro" agora se você se vê no texto, já não posso fazer nada.
A começar pelo começo, óbvio, eu morei por 6 longos anos na cidade de São Gonçalo e já fui muitas vezes passear lá pela capital. E o que eu queria saber, é por que diabos o pessoal de lá tem tanta mania de dizer que aqui só tem mato ou só tem paraibano (O que vale lembrar que Paraibano é que nasce na Paraíba e que esse estado fica no nordeste do país, ou seja, se eu moro no Pará, eu sou paraense e nortista, "capiche"?) continuando, não tem explicação lógica para isso, por que a mídia contribuí para formar uma imagem distorcida da parte de cima do Brasil, mas a mídia não te ensina que o Amazonense é nortista. Isso quem ensina é a geografia. Então, meu querido (a) você não teve aula? Ou só é mais um ignorante esdrúxulo da civilização humana?
O que mais me irrita é o pessoal me perguntando se aqui onde eu moro existe shopping ou ônibus, de certo que os coletivos não são os melhores meios de transporte por aqui, mas sim, existe.
Eu sei que vive os piores momentos da minha vida, quando eu morava lá, mas não isso que me fez não curtir muito a cidade.
Outra coisa também é o fato de algumas pessoas serem muito egocêntricas ou patriotas, sei lá o nome que se dá para esse fenômeno, só sei que ficar exaltando uma cidade é coisa de gente que não tem o que fazer. Você dizer que o Rio é bonito, é perfeitamente normal, de fato, o Rio de Janeiro é um estado muito bonito. Agora ficar postando foto a todo momento do pôr do sol, todos os dias e dizer "O Rio continua lindo" por favor, dá para parar? Que coisa mais sem noção. Daí vai você dizer que não acha aquilo extraordinário que a pessoa só falta te dar uma facada. Depois vem dizer na maior cara de pau que você tem que respeitar o gosto alheio. Agora eu pergunto, e o seu gosto? A pessoa respeitou? Gente, é só um comentário e não um depoimento diante de um juiz para ter uma sentença assim. Francamente...
E por último, mas não menos importante. O sotaque carioca não é o mais bonito do Brasil. Todos são bonitos.


Se você é carioca e discordou do meu texto, que eu sei que vai discordar. Então quando alguém te disser que aqui no norte só tem mato ou que todo mundo aqui é nordestino. Lembre-se de mim.
Não é nada pessoal, é só uma questão de honra paraense, até por que, minha melhor amiga é carioca e ela não se encaixa nesse grupo.
Beijos galaxicos!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Dentro de mim - T01 E04 - O regresso

Caio estava parado na varanda do apartamento. Sentia o vento leve tocar o rosto. Rosto sem expressão nenhuma. Havia alguns meses que tinha tido alta hospitalar e também que visitou o túmulo de Ana. Não o fazia com frequência, a dor ainda era inconfortável. Viver em um mundo sem ela era difícil de imaginar. Aquele amor ele nunca mais iria ter, a inocência de um amor de infância. Desde aquela época o destino estava traçado e ele nada podia fazer.
A lágrima escorria descontrolavelmente, porém o rosto continuava sem expressão. De repente ele escutou o som da campainha. Era Rita.

__Como tu está? - Ela entrou dando-lhe um abraço apertado. Caio deixou que a emoção tomasse conta de seu ser. A única coisa que se podia escutar era os soluços do rapaz. Ficaram assim durante uns minutos, até que ele se recompôs.
__A cada dia que passa, afundo mais. É assim que me sinto - Caio sussurrava com voz trêmula.
__Tu tem ido na terapia, amigo?
__As vezes...
__Caio, tu tens que ir.
__Eu só queria ter ido no lugar dela. Eu me sinto tão culpado - Caio colocou as mãos no rosto tentando evitar as lágrimas e Rita já conhecia aquela conversa. Ele sempre falava isso, ainda não tinha aceitado a tragédia.
__A Ana não era forte o suficiente para isso, Caio. Eu tenho certeza que de onde ela estiver, ela está olhando para ti.
__Eu tranquei o curso, até estar bem de novo. Não sei se foi a decisão correta, mas por enquanto eu não sinto vontade de nada.
__Eu entendo. Sabes que pode sempre contar com teus amigos, né? - Rita sentou ao lado dele e colocou sua mão sobre o ombro do rapaz. Aquela tarde passou bem rápida, os dois conversaram bastante e Caio até se atreveu a rir um pouco. Depois de algumas horas, Miguel também havia chego para uma visita. Os únicos que sempre estavam por perto, vigiando e cobrando Caio para tudo.

Caio havia passado por muitas coisas nos últimos meses, ele havia trancado o curso na faculdade, frequentava a terapia semanal, se apegou mais aos pais, que antes ele nem sequer falava direito. E também voltou a ir a igreja. Apesar do vazio que sentia, ele tentava continuar, sempre repetindo para si mesmo que ele não podia desistir e que tudo que ele faria, seria por Ana. Ela ficaria feliz em saber que ele conseguiu estar bem, depois de tudo.
Conforme ele ia se recuperando, presenciou Rita começar a namorar "Seboso" o apelido de Cristiano, um calouro do curso dela e de Ana. Ele também foi um conselheiro para Miguel, que pela quarta vez terminava um namoro. Depois de quase 1 ano, os amigos se afastaram um pouco, pois Rita desfrutava da experiência do primeiro namoro e Miguel começou a fazer estágio. 1 ano foi o suficiente para Caio decidir retornar a faculdade e rever os amigos. Tudo parecia diferente, a faculdade tinha novas pessoas e sua turma não era mais a mesma. Miguel estava bem adiantado, mas Caio nunca teve medo de encarar novas pessoas.
Estava parcialmente nublado quando Caio chegou a faculdade. Com roupas pretas e barbudo, ele chamou atenção de algumas meninas que estavam paradas em frente a biblioteca. Um jeito mais maduro e com uma consciência mais tranquila. 1 ano após a morte de Ana, fez Caio ficar endurecido por dentro, mas o bom humor ainda restava em sua personalidade. Olhou com atenção ao redor e não viu ninguém conhecido, começou a andar pelos corredores lentamente, observava todos os detalhes, como se tudo parecesse novo. Sim, tudo era novo para ele, afinal, as lembranças com Ana, naquele lugar, ele tratou de esquecer. De repente algo esbarra violentamente nele.

__Cara, foi mal - Um jovem deixou cair todos os cadernos no chão.
__Não, não se preocupe, eu te ajudo - Caio abaixou para pegar os livros.
__Tu não é... Caio? - O jovem olhou para Caio como se estivesse o reconhecendo e ele fez uma careta, pois não estava sabendo identificar a pessoa.
__Sou eu, o Leonardo!
__LEONARDO? - Caio deu uma breve olhada para o colega de classe de Ana e quase não o reconheceu. Ele estava muito diferente.
__Cara, tu voltastes! - Ele deu um abraço apertado - Espera só os carinhas saberem que tu voltastes!
__Era para ser uma surpresa - Caio deu uma risada sem graça.
__Tranquilo, não vou contar, aliás eu to com um pouco de pressa, levar essa papelada lá pra secretária.
__Trabalhas aqui?
__Monitoria, então, to indo nessa. Bom te reencontrar! - Leonardo saiu disparado, enquanto acenava para Caio. Quando o mesmo olhou para o chão e viu um pedaço de papel "Com certeza deve ser dele" ele pensou enquanto abaixava para pegar.
__Ah ele já foi, depois eu entrego - Caio sussurrou enquanto colocava o papel na mochila. Seguiu para a escada, afim de encontrar sua sala. Não localizou nem Miguel e nem Rita. Onde será que eles estavam?
Ele subiu as escadas devagar, ao chegar no primeiro andar, sentiu o estômago embrulhar e o coração bater acelerado, como se tivesse levado um susto. Saiu do banheiro uma moça com cabelos longos e negros, a pele branca e os olhos claros que o fazia lembrar de alguém.

__Ana? - Foi a única coisa que Caio conseguiu fazer ao se deparar com aquela mulher que era idêntica a sua falecida namorada.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Dentro de mim - T01 E03 - A notícia

A sirene da ambulância soava distante e por alguns segundos, ficava nítida aos ouvidos, como se o carro estivesse vindo e indo em uma estrada retilínea. O famoso efeito doppler. Caio tinha os olhos semi abertos, ao seu redor tudo estava nublado, como se alguém tivesse fumado e prendido a fumaça dentro da cabine. Os enfermeiros ao seu redor verificavam o seu pulso. Ele não sentia absolutamente nada, estava totalmente inerte na maca. A máscara de oxigênio ajudava a respirar melhor. Ouvia alguém sussurrar palavras que ele não compreendia muito bem, mas reconhecia a voz, parecia Miguel.
O silêncio e a escuridão foram substituídas pelo ranger do ar condicionado e a claridade da janela que tinha as cortinas bem abertas, embora a janela estivesse fechada. Caio abria os olhos lentamente e ao seu lado, aos prantos, estava sua mãe.


__Meu filho, tu acordastes! - A mãe apertava a mão do filho com alegria e em seus olhos inchados haviam muitos lágrimas que ainda estavam por vir.
__Mãe... - Sussurrou baixinho, seu corpo ainda doía - Ana... Cadê a Ana... - Caio tentava se sentar em vão.
__Não tente se sentar, meu querido, tu ainda estais machucado. A Ana está estável - Ela engoliu seco.
__O que aconteceu?
__São muitas perguntas, Caio, descanse mais um pouco, tudo bem?

Clementina se afastou do filho e foi para fora do quarto, onde estavam Miguel e José, pai de Caio. Ela fez um gesto para Miguel.

__Não conte para ele o que aconteceu - Ela sussurrou no ouvido do rapaz.
__Tia, uma hora ele vai ter que saber.
__Mas não agora, vamos esperar ele se recuperar - Miguel assentiu e entrou no quarto, reunindo todas as suas forças para encarar o amigo, que com certeza estava cheio de perguntas para fazer.

Ele entrou no quarto devagar e viu o amigo observar a janela, quando os olhos dele se encontraram com os do amigo.

__Fala, Caião! Tu és osso duro - Miguel apertada a mão do amigo, enquanto se sentava na cadeira ao lado.
__Fico feliz em te ver. O que aconteceu comigo? - Caio mantinha os olhos bem abertos e o ranger do ar condicionado tomou conta mais uma vez do quarto. Miguel procurava as palavras, quando sentou na cadeira e começou a falar.
__Tu e a Ana foram atropelados. Na verdade a Ana te empurrou e ela que foi atingida. Mas nesse "empurrão" tu acabastes batendo a cabeça no carrinho do outro lado da rua e havia uma barra pontiaguda que furou tua costela. Por isso tu estais enfaixado.
__E a Ana?
__Ela está em outro quarto - Miguel desviou o olhar, mas Caio não percebeu a mentira do amigo e sorriu aliviado. Aquilo estava o corroendo por dentro, mas sabia que iria ser um choque para ele,saber o que houve de fato com a namorada. Miguel havia saído do quarto e então Clementina e José entraram para ficarem mais um pouco com o filho, a hora da visita estava terminando.
Alguns dias se passaram e Caio já podia se sentar normalmente, a ferida estava cicatrizando rápido. Ele mal podia esperar para sair e por andar e encontrar com Ana. Durante todo o tempo, as pessoas mentiam para ele, diziam que ela ainda não podia receber visitas pois ela ainda estava inconsciente ou diziam que ela em breve poderia sair da UTI. Mas Caio finalmente recebeu a visita de alguém que não estava envolvida na farsa. Rita entrou no quarto e deu um sorriso largo para o amigo.

__Caio! - Ela deu um abraço nele e sentiu uma vontade imensa de chorar, mas se segurou para não assustar o amigo.
__Nossa, achei que tu tinha se esquecido de mim - Ele riu enquanto se sentava na beirada da cama.
__Vejo que estais melhor, em breve poderá sair daqui!
__Já se passou 1 mês, acho que semana que vem eu estou de alta.
__E como tu estais? - Ela sentou na cama ao lado do amigo.
__To me sentindo bem, é ruim ficar no hospital, mas to bem.
__É assim mesmo, amigo, a vida tem que seguir - Rita gaguejou e baixou a cabeça. Seus olhos começaram a avermelhar.
__O que aconteceu, Rita? - Caio passou a mãos nos ombros da moça, sério.
__Mesmo tendo passado esses dias, ainda é difícil sabe? Queria estar bem como você - De repente, Caio olhou para o chão, como se tivesse ligando os pontos de um quebra cabeça, ele não era idiota ao ponto de não perceber o que estava acontecendo.
__Você tem visitado a Ana? - Rita o olhou assustada e levantou da cama rapidamente. Percebeu a grande besteira que tinha feito. Mas não havia nada que pudesse ser feito, uma hora ele iria descobrir a verdade.
__Caio... Ninguém... Ninguém te contou? 
__Acho que fui enganado - Caio sentiu os olhos ficarem vermelhos. Não queria ouvir aquelas palavras saírem da boca da amiga. Apenas queria voltar no tempo, queria poder impedir aquilo tudo. Dormir e nunca mais acordar.
__Isso é um sonho, né? Rita, por favor, não me diz isso, cara. Por favor! - Caio levantou da cama, queria saber isso da boca dos pais.
__Caio, pera aí - Rita saiu atrás dele, desesperada. José estava sentado na frente do quarto, enquanto a mãe estava na lanchonete. Quando viu o filho sair disparo pela porta. Todos levantaram assustados.
__O que vocês estavam querendo me escondendo a verdade? - Ele arrancou a agulha do soro, o braço escorrendo sangue e a ferida que não estava totalmente sarada, começaram uma dor latejante.
__Caio, por favor, tu estais muito alterado, volta para a cama que a gente conversa - José tentava acalmar o filho e buscava o celular no bolso para ligar para a esposa.
__Me acalmar? Vocês tem ideia do que fizeram me escondendo que a Ana morreu todo esse tempo? Eu não quero me acalmar, eu não vou me acalmar. Isso só pode ser um pesadelo - Os enfermeiros ao redor correram para frente do quarto para tentar contê-lo, mas Caio desabou no chão sem forças, chorando e se encolhendo. Alguns pacientes correram para o corredor para tentar entender a confusão e presenciaram tamanho sofrimento. 
Alguns enfermeiros com total empatia e delicadeza, levantaram o rapaz para levá-lo para a cama. "Tudo ficará bem" eles sussurravam. Clementina vinha correndo pelos corredores ociosa, sabia que aquilo iria acontecer e pensava várias vezes se realmente não teria sido melhor ter contado desde o início.
Caio estava sentado na cama de braços cruzados, apático. Enquanto Rita estava encostada na janela, José sentado na poltrona próximo a cama e Clementina sentada na beirada da cama. O silêncio prevalecia, até o ranger do ar condicionado foi engolido por tamanha tristeza.

__Me desculpa, filho, eu queria que tu se recuperasse - Caio não emitia nenhum som. Seu rosto estava sem expressão alguma. A única coisa que se mexia, eram as lágrimas que caíam silenciosamente - Sei que foi um choque para ti, mas entenda sua mãe.
__Apenas me deixem sozinho - Ele sussurrou enquanto deitava na cama.
__Infelizmente não havia nada que pudesse ser feito... - A mãe levantou, lançou um olhar preocupado para o marido e fez sinal para todos saírem. Caio, deixou que as lágrimas caíssem e ensopassem o travesseiro. Ele tinha que se livrar daquela dor insuportável. Os planos e todas as coisas que ele tinha conversado com Ana, agora não passavam de lembranças bonitas. Foi o pior dia de sua vida. Aquela notícia iria assolar sua existência até o dia de sua morte.
Alguns meses haviam se passado, Caio havia recebido alta hospitalar e também havia trancado a faculdade. Ele ainda estava depressivo devido a perda da noiva, mas tinha reunido coragem o suficiente para ir ao cemitério visitá-la. Ele não compareceu ao velório e o enterro de Ana, foi até melhor, ele pensava. Não iria aguentar tamanha tristeza.
O cemitério nunca foi um lugar agradável, muito menos quando alguém estava com o coração partido. Caio caminhava pelo estreito caminho de brita do lugar, ao seu redor tudo parecia mórbido e silencioso. O barulho das árvores o fazia sentir medo, só que continuava até encontrar o túmulo. Andou durante 10 minutos e encontrou uma grande lápide cheia de flores. Sim, ele estava no lugar certo. O peso do ar o fez respirar fundo várias vezes e as lágrimas brotaram incontrolavelmente. Deixou a voz rouca sair, as lamentações não poderiam ser guardadas para si mesmo. Ele estava sozinho, não tinha do que se envergonhar.


__Ana... Por que? - Ele sussurrava enquanto observava a foto da moça. Ficou um tempo debruçado sobre o túmulo. Quando se sentiu mais calmo, levantou com os olhos bem inchados e colocou junto das flores, um carta com o poema favorito dela. Se virou cabisbaixo e seguiu em frente.