sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um véu molhado

O vento enalteceu a melancolia do meu quarto e eu desliguei o telefone rápido.Por alguns segundos respirei ofegante e cobri a boca - por que ouvi passos na escada, achei que fosse minha mãe - Peguei a toalha e fui para o banheiro. Tranquei. Abaixei devagar e apoiei minha cabeça nos joelhos. Saltei o primeiro suspiro e com ele rolou a primeira lágrima. Funguei. Outras lágrimas rolaram rosto abaixo e assim como os pingos da chuva que começam lento e depois vão ficando mais torrentes, minhas lágrimas chegavam ao meu queixo e ficavam pingando até o chão, seu destino final. Elas mal podiam dizer adeus.
Foi assim durante vinte minutos. Levantei, olhei-me no espelho. Quem era aquela no reflexo? Os olhos tristes e cansados. Como dizer ao coração que já chega? 
Abri o chuveiro, a água gelada tocou em meu corpo quente, houve um arrepio e senti algo escorrer em meu rosto... Não, não era a água do chuveiro. Era salgado e tinha flavor de tristeza. Era um véu molhado bem no meu rosto, tampando meus olhos avermelhados e enrugados. Tampando minha visão.
Então esse momento passou. Pus uma música para escutar. Não era triste, mas fez meu coração bater de forma estranha, eu não tenho nenhum problema cardíaco, mas, naquele momento, ele parecia bater mais que o normal e aquela dor, aquela dor tão corriqueira reapareceu bem do lado esquerdo. Respiro. Dói. Respiro devagar e lento. Dói menos.
O véu ainda continua em meu rosto e tudo que era vivo, ficou opaco.

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